domingo, 25 de janeiro de 2009

Diálogo

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Não sei se há maldade no que me dizes ou se dizes apenas maldades sem ao menos as verdades saber. Sei sim que me dizes tanto quanto podes dizer e me falas de tanto quanto podes lembrar além de vês verdades nessas maldades que dizes. E, de tanto que falas destas tuas verdades, das minhas maldades, vejo que crês em todas elas, contudo, faço-me pacífico ao escutá-las. Vejo que me vês tanto sobre tuas verdades, em ti, inquestionáveis que não faço-as mentiras de cara. Dou-te tempo e crédito nas verdades tão más e nas maldades tão verdadeiras que me trazes. As ponho em pauta e acredito nelas assim como te postas a crer. Em seguida, como faria e faço com cada uma das minhas verdades, as questiono, em alta voz, diante de ti, e articulo claramente cada palavra que se esvai da minha boca crendo que estas vão tornar-se razão, reflexão ou, ao menos, algo que torne sua opinião mais disposta a mudanças. Então, munido de perguntas e de respostas prováveis, te chamo para uma resolução mútua, trago respostas possíveis e impossíveis e começas a te confundir com o que falo, trago-te mais e mais visões a respeito do fato e conservo o que havia de correto em tua posição. Neste meio tempo, corrijo minhas impressões erradas e peço que faças o mesmo. Aos poucos, frase a frase, fato a fato, clareias nossas visões, vês as mentiras e maldades nas verdades que te eram tão corretas e intactas e me fazes entender o que tanto te incomoda em minha conduta, criamos novas rotas, novos pensamentos, nos aproximamos mais, nos envolvemos mais, nos abraçamos e, pedidos e aceitados os pedidos de desculpas, fazemos as pazes e voltamos a ser felizes.


Augusto Simões

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ideal Irreal (O curta)

Não ficou como eu queria, mas... aí está.

http://www.youtube.com/watch?v=UuxDoxIhi8o

sábado, 27 de dezembro de 2008

Café da Manhã

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Seguiu o dia à poética. Todo o dia era bom. O sol que raiava, os pássaros cantavam como de costume, mas, antes, nada era percebido, hoje poderia correr de casa até o trabalho. Primeiro, pediu-lhe que descansasse mais, iria só até o trabalho, já lhe fizera tão bem na noite anterior que não haveria de considerar, depois de um sonho vivido e um café na cama, indelicadeza que este voltasse aos seus sonhos – visto que não lhe era de hábito despertar tão cedo. Deu-lhe um beijo, até parecia o primeiro, na porta de casa e seguiu, sem parecer atrasada, para suas funções diárias.

Já em seu escritório, sua modesta sala de duas mesas e um computador, não conseguia deixar de lado a sensação de bem estar. Seu chefe parecia mais calmo, bem alinhado, imaginava que sua esposa também lhe fizera bem na noite anterior. Em seu estado não poderia relacionar a felicidade com qualquer outra coisa. Pudera, já se passava muito tempo desde que vivera aquelas emoções da última vez.

Abrindo seu e-mail, em busca se informações ou novidades burocráticas a cerca de sua vida prática, deparou-se com surpresa incomum. Havia lá uma mensagem de título “Café da Manhã” cujo remetente era o homem que deixara dormindo mais cedo.Ainda achava disposição para surpreende-la. Dizia o texto:

“Não há bom dia mais feliz do que aqueles que recebo de você. Aqueles ainda na cama, com remelas, num sorriso, com uma cara amassada, com cabelos asanhados, num despertar macio e apaixonado, com um beijo na nuca, com uma disposição incomum de se mover logo de manhã, com fome, num carinho só nosso. Não há bom dia mais feliz do que aqueles que recebo com seu amor, depois de dormir ao seu lado e acordar com seus beijos e seu ar apaixonado! AMO-TE!”

Rendeu-se à tal delicadeza, acanhou-se e, tímida, sorriu.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Informativo

Os textos "Coito", "À Poética", "Moça que Sonha" e "Moça que Acorda", como fica fácil perceber, fazem parte de uma só obra. Na verdade estou mudando de primeira pra terceira pessoa direto porque estou animado com estes textos e pretendo publica-los posteriormente. Aos interessados, publicarei alguns trechos e até capitulos num outro blog dedicado apenas a esta série de textos.

Eis o endereço:

http://seriebelamoca.blogspot.com/

Espero que gostem de lê-los tanto quanto eu gosto de escrevê-los

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Moça que acorda

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Naquela hora já se perdia numa corrida confusa onde, por mais que fugisse era alcançada, por mais que se escondesse era achada, e se afligiu. Subitamente, fechou fortemente os olhos, e desmaiou.

Quando abriu os olhos notou o sol tentando penetrar pela janela iluminando parte do cômodo. Não se via, estava há poucos segundos numa espécie de rua escura, sombria, sendo perseguida por um desconhecido que parecia conhecer todos os seus passos. Mas o dia clareara, e ela entendia, vagarosamente que estava num quarto. Seu corpo, não cansado, parecia bem aquecido e preguiçava enquanto sua retina lutava contra a luz que, mesmo pouca, lhe parecia ofuscante. Bocejou e ao esticar-se num gesto de preguiça notou-se nua. Pudera, algo de estranho havia acontecido, morria de frio em noites comuns e se encontrava despida ouvindo um ventilado a girar na maior força possível. Trazia-lhe vendo e, ainda assim, não tinha frio. Como poderia, era sensível às baixas temperaturas e jamais toleraria vento de tamanha força em sua direção sem seus tremores friorentos.

Assustada, sentiu-se bem. A dor de cabeça tomava-lhe a paciência enquanto se esvaíra a lembrança recente das ruas escuras de momentos atrás. Vinham-lhe lembranças desconexas até que ouviu passos. Sim, estava num quarto, despertara indisposta e assustava-se com os passos que ouvia. A maçaneta moveu-se e a porta abriu. Uma mistura de pânico e bem-estar invadiu-lhe a cabeça quando surgiu a bandeja carregada de alimentos leves. Sentia o cheiro do queijo frito e via o pão fresco. Olhou nos olhos daquele homem e disse:”Bom dia, meu amor, tive um sonho esquisito, acho que bebi demais ontem.”

Servida na cama, tomou seu café da manhã, deitou-se ao lado dele, em seu peito, e ouviu palavras doces pela próxima meia hora.

Augusto Simões