terça-feira, 12 de agosto de 2008

Conquista III

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Mais uma semana passava e, encantado, o rapaz tornava a conseguir um novo encontro. Foi, ele, com uma hora de antecedência e a esperou na rua onde haviam marcado o primeiro encontro (salvo que os outros se deram ao acaso).

Um lugar intrigante aquela rua. Composta de velhas construções, algumas reformadas, outras, se não caindo aos pedaços, próximas disso. Além do aspecto simplório e envelhecido. Um lugar, tal como ela, difícil de interpretar à primeira vista.

Leu seu livro por uma hora e não sentiu frios na barriga ou expectativa. A moça lhe parecia tão distante algumas horas, mas, o deixava confortável. Não havia ali excessos. Somente o necessário. Quando chegada a hora do encontro, fechou seu livro, guardou-o em sua mochila, passou a esperá-la. Pensava em como aborda-la de forma correta. Menina sensível e já declaradamente triste haveria de ser abordada com todo tato possível.

Dada a hora, dela, ela chega. Um breve sorriso de lado, um caminhar tranqüilo, senta a mesa, pede uma cerveja e exige a marca. Finalmente o cumprimenta. Abordados os assuntos iniciais, trocam de mesa – para se afastarem do som estridente do bar – e tornam a conversar.

Agora o diálogo toma outro rumo e as revelações não tardam a serem feitas. Seus traumas, suas mazelas, suas vontades e parte de suas vidas vão aflorando e se apresentando naturalmente.

- Devo falar do meu passado recente. História triste, confusa e que ainda me toca muito.

Não haveria, o rapaz, visto tantas palavras e tantas expressões em sua face quanto via durante aquelas palavras. E não parou por aí.

- Fui descrente no amor por longa data e a pouco resolvi me arriscar nesse mar de contradições. Por hora, acreditei que poderia e sofri. Vendo-me já preparada para uma nova decepção, fui forte e dura o quanto pude, até que amoleci mais uma vez e, outra vez, o amor me derrubou. Ainda encontro-me triste, ferida, magoada e, pior, apaixonada.

As revelações talvez não fossem tão surpreendentes para o pobre rapaz que escutava atento cada palavra enquanto moldava discursos para confortá-la e até conquistá-la. Seu passado também não havia sido fácil e, descobriu ele, que no mesmo período teve decepções semelhantes às ouvidas por ele naquele momento. Eram os momento finais do discurso da moça apaixonada e seu tempo de elaborar algo iria se findando. Era a hora de escolher entre continuar uma batalha ou declarar a donzela perdida. O que fazer?

Continua...

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Conquista II

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Deixa ele ir pobre moça desiludida. A mágoa é coisa triste e ruim, mas, quando se deixa exposta ao tempo, pode inflamar a ferida. Há remédios que curam essas dores. E que dor não é curável?

A tristeza isolava a moça dos olhos inchados e bem secos. Não existem mais lágrimas, mas a dor perdura. Então deixa que esta dure, deixa a dor comover e ensinar. Mas não deixa que esta tire mais do que já tirou.

E a moça seguiu se arriscando. Pouco a pouco. Uma ou duas vezes por mês deixara o pobre rapaz aproximar-se. Este, não economizava em paciência, era uma dedicação quase cega e respeitosa. E, a cada vez que se viam, naturalmente, crescia a intimidade, e o apego. Mesmo que nesses poucos dias em que horas tornavam-se breves momentos as conversas, escassas e bem curtas, revelavam aos dois o que os fazia se deixarem, ela sem deixa-lo de vez e ele sem desistir daquilo que ele nem sonhava ser amor.

O rapaz, sempre que achava que poderia fraquejar, pedia, brevemente, um estimulo de moça tão discreta e de tão poucas palavras. E ela, sempre que requisitada, curta, breve, mas envolvente, usava seu olhar para dar dimensões prolixas às suas poucas palavra. E assim, renovado, seguia o rapaz, a esperar, mais uma vez, o tempo que fosse necessário. Algo lhe antecipava um sentimento nobre e vivências inesquecíveis.

Continua...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Conquista I

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Mesmo com toda salinidade deste mar de amarguras ainda comportava doçura a menina ferida. Pobre donzela cercada de amargura e tristeza, isolava-se em sua vida, em seu quarto em seu eu. “Deixa o mundo de lado, por agora, não preciso dele, tanto assim.”. Assim chorava a menina que não negava um sorriso quando ele se chegava. Mas chegara tarde demais, por hora, que agora a menina não queria mais ninguém. Ainda assim, não negava aqueles sorrisos que o impulsionavam.

E, passo a passo, foi-se chegando, ele, do seu jeito, como o terceiro que chegou do nada. E quanto mais ela se afastava ele mais insistia, sutilmente, em se aproximar. E sua insistência não incomodava. Sim, ela sentia-se melhor. Como provando para si que era melhor do que se sentia. E, talvez por isso, não conseguia dar-lhe um não. Não conseguia nega-lo quando este se aproximava.

Continua...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A Visão e a Arte

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Boa parte das pessoas interpretam as formas artísticas através dos seus olhares, dos seus mundo. Culturas, histórias, pessoas, entre várias influências tornam uma pintura, foto ou poema, vários. O que isto quer dizer? Que um poema pode ser, ao mesmo tempo, romântico para um e nostálgico para outro assim como um desenho, uma melodia, ou qualquer outra forma de arte.

Acredito que muitos se importam em interpretar a arte de outras formas. Lêem sobre técnicas, até tentam praticá-las, mesmo sem muito talento, para reconhecer e entender melhor como a obra, seja ela qual for, foi produzida. Estes preferem apreciar a arte por um aspecto mais técnico. Pelas inovações encontradas pelo artista. Sentem-se internos ao assunto.

Há ainda o terceiro grupo, meu favorito. Formado por aqueles que procuram primeiro entender o que a obra lhe passa. E, pouco a pouco, vão se deixando levar por ela, tentando imaginar ou entender o que o artista pensava naquele momento. O que o fez sair da cama, parar sua refeição, desligar o telefone, sair de sua casa, de seu país para buscar aquelas cores, aquelas palavras, aquelas imagens. Estes seriam, para mim, os líricos. Pois arte, para estes, é a busca de técnicas, paisagens, palavras e até gestos que consigam demonstrar sentimentos objetivamente. E, só através desta, podemos tocar nos sentimentos.

Ladrão de Galinhas

Há uma falta de postura e indescência nos âmbitos onde corre maior parte do meu dinheiro, o que deixa qualquer ser humano “tranqüilo” quando consciente. E vejo, ainda, uma ironia trágica em meio aos fatos: “Aqueles que ‘ditam’ as regras, as minhas obrigações e direitos, são os mesmos que têm sido acusados de roubar meu dinheiro. Como exemplar resultado, uma punição com o fim de um mandato por determinado tempo.”.

Agora imagina um ladrão, daqueles mesmo, os de galinha. Um belo dia é pego roubando as galinhas e levado a julgamento. No julgamento as provas indicam que o acusado é culpado. Sujo, com penas pela camisa, marcas das bicadas da galinha que tentava fugir de seu sequestrador o homem nega tudo e diz nem saber da existencia de galinhas naquele terreno. Por fim, o juri popular condena o homem. Está definido e provado! Culpado! Pena: Renuncia e abandono das funções de ladrão. Sem direito às regalias. E, só após 8 anos, o dito ladrão pode voltar a roubar as galinhas. Enquanto isso, este deve desfrutar de plena liberdade para outras atividades.

Quem sabe assim, no Brasil, poderiamos dizer que a justiça é cega. Afinal, num pais de malandragem, de influência, onde o dinheiro move tudo, já que não se mexe com o rico vamos ver como mexer com os pobres. Se não dá pra rachar o dinheiro que se concentra na mão de poucos, vamos igualar, pelo menos, alguns direitos.