segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Carta sem título





Ali, além dali, muito distante, ia eu ficando pequeno, pequerrucho, mínimo. Porque eras como a paisagem que por mais que se ande não se alcança. Eras a própria distancia, terreno inalcançável, fossa do mar. E eu, vivia aqui, a ouvir Chico Buarque e contemplar grandes passes do Rei do Futebol, ainda que não goste de futebol, via pela arte. Pude sentir, inúmeras vezes o calor de tuas mãos em meus cabelos antes de vê-la, huuum!

Mesmo que próxima e distante, bem ou mal foste mesmo meu colo quando havia ninguém. Minha tristeza era daquelas que te afoga em lágrimas ou faz perder-se dentro de si mesmo. E tentei, por várias vezes, disfarçar o meu falecimento sentimental, para não dizer minha morte interior, que, ó Deus! já vivia, eu, o encanto e a felicidade plena sem tu.

Na Veneza pernambucana, os canais impuros, as pontes, as paisagens. Nada mais era belo, nada mais era visto por mim. Mas sempre soube que chegar até você seria como subir para cima, repetir de novo, era como se todos os astros fossem unânimes em dizer: “Vai acontecer, é seu destino”.

E neste excelente estado, receoso, romântico, ridículo num raro momento, estaria, eu, pronto para senti-lo, o amor. Belo, nostálgico, indescritível chegaria a mim.

E eu disse: “Eu já sabia!”.

(Eu estudando figuras de linguagem. : P)

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Nosso

.
Tava pensando aqui com meus botões: "Por que eu gosto tanto do teu beijo se eu já beijei uma infinidade de moças nessa minha vida desregrada?".
Não demorou muito para tirar a conclusão, ou melhor, as conclusões.
1- você não é mais uma;

2- você é muito mais que linda;

3- a gente se sente do mesmo jeito quando está junto;

Quinta conclusão, não menos importante- eu adoro estar perto de você mesmo quando tenho que ficar "de longe" e, quando nos beijamos, não só encostamos os lábios e trocamos as línguas, também derrubamos as barreiras, vamos contra regras (por agora), provamos e demonstramos o quanto nos gostamos. Nosso beijo não é só especial por saudades ou por carinhos, é especial por ser nosso.

Já falei que você me inspira?


(Próxima parte do conquista sai esta semana a outra, tô sem tempo de seguir a linha)

sábado, 20 de setembro de 2008

Abordagem II

Dias após o ocorrido fizeram-se breves as palavras: “hei, vamos conversar?”. E num sorriso largo ela se postou ao seu lado e deu ouvidos às suas novas palavras. Dizia ele:

“Tens estado em meu café pela manhã, no livro que tenho lido, nas minhas conversas, tens estado em meus pensamentos todos os dias. Provocaste o que em mim é mais belo. Algo além da paixão, algo que comove. Hoje, sou encantado pela tua beleza e quero saber se posso encantar-me por ti completamente. Será que posso pedir-te esta noite para conhecer-te melhor e descobrir se toda esta disfunção em meus atos e comportamentos relativos a tu são, de fato, dignos de existir?”

Ela consentiu a noite, mas teve de confessar-se: “Em minha vida há outro alguém por quem não sei se ainda sinto. E tenho tanto interesse em tu quanto dizes ter em mim. Sob tais declarações ainda insistes em sair comigo?”

Sem praguejar deu um largo sim e a convidou ao local onde foram.

Diante dos gestos, das conversas que tiveram por toda a noite, seria impraticável evitar um beijo. Eis que sucedeu-se o dito que multiplicou-se em vários outros somados aos carinhos e às doces e sonhadoras palavras dele. Como era esperado, mas não tido como certo, o rapaz rendeu-se aos encantos da moça que, por sua vez, fez o mesmo. Eram agora amantes sem sombra de dúvidas.

Não esqueceram do outro alguém que a esta hora já estava a perder o título. E este não imaginara nada. Apenas vivia distante e aproximava-se quando era possível. Era o único empecilho que impedia o romance dos dois. Mas, a saudade é danada, e tornou-se personagem principal na evolução dos sentimentos. Deu-lhes mais vontade à medida em que se viam e não podiam aproximar-se. Começavam a deixar, inconscientemente, que o impedimento aumentasse o desejo e as emoções. Nada mais sedutor do que o amor proibido.

Dia após dia se viam e se olhavam e se mantinham distantes. Agora sabiam que partilhavam os mesmos pensamentos e sentimentos, tudo era uma questão de tempo. Enquanto ela procurava coragem para deixar o outro ele entendia os motivos da aflição e esperava pacientemente tentando ajudá-la e a conquistando mais e mais apenas através de palavras. Sem toques, sem flores. Poucos poemas e vários olhares, mas, principalmente com as palavras.


Continua

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Abordagem I

.
Abriu a porta, postou-se naquela cadeira, no meio dos demais, e se colocou a observar o que passara. Em menos de dez segundos já se encontrava tão distante dali quanto poderia. Na verdade, não tão longe. Fora ali onde tudo sucedera. Colocava-se afastado em sentido de tempo, de dias atrás. E ali repassava tudo o que vivera naqueles dias passados, próximo dali, tão próximo. E, será que voltaria?

Ela, apressada, corria para não se atrasar. Recorrentemente pensava se fora ela errada ou se estaria errada em pensar, olhar ou falar da forma que falaria. Não, haveria a possibilidade de não vê-lo. Mas pensava se o visse. Subiu as escadas, postou-se à porta e olhou pela brecha, antes que este pudesse vê-la. O viu e titubeou em seus pensamentos.

Neste momento ele já a via. E lhe fraquejavam as pernas, forçavam as batidas no peito e tremiam-lhe as mãos. Disfarçava fingindo estar com frio. Ela chegou, e ele a olhou nos olhos sem saber bem como reagir. Via-se tímido, sem jeito, desconcertado. Por sorte a cena se passava rapidamente. Contudo, o momento de levantar-se de ambos seria o mesmo, e ali, não haveria como disfarçar as pernas, as mãos, o peito, ou correria o risco de se expor ao ridículo e usual que é o declarar-se brevemente.

Levantou-se de sua cadeira e seguiu em direção à porta quando foi abordada. Falava-lhe ele. Em tom breve e um pouco desconcertado o que lhe vinha no pensamento. Fazia-se de desentendida e dava-lhe toda a atenção. Respondeu as perguntas, riu das piadas e mostrou-se ciente de comentário que só pôde ser entendido pelos dois. Mesmo que dito diante daquela multidão. Ele não disse tudo o que queria pois, ali, não poderia e disse apenas que ainda tinha o que lhe falar e que o faria em outra ocasião. Ela mostrou-se disposta e aguardou o convite.

Continua

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Apelo

Se não sabes onde vais meu caminho pode ser [tanto] certo quanto incorreto nessa sua trilha. Fazes-te amarga e triste e, tão bem quanto mal, sabes que te sou parte que posso ser quando autorizas.

Não me vás tão rapidamente, nem te vens quando te convém, posto que cada encontro contigo torna-se sinônimo de esperança e cada decepção pende por se tornar um baque dolorido. És figura que imagino tão perfeita em meu viver e de torna-se tão triste no horizonte. Mal sabes o quanto dói só ver-te assim, longe de mim.

Imagem do meu sol que raia o dia perfeito onde nem ressaca mais deprimente pode apagar um sorriso extasiaste num dia chuvoso e cinza onde o sol insiste em estar lá. Não ignora quem pode ser único em tua vida. Já te fiz parcialmente feliz pois me deste pouco tempo. Posso fazer-te tão mais, ou plenamente, contente que nem imaginas. Não achai que posso ser tão modesto, pois, se não te digo do que sou capaz, como podes desconfiar se tuas próprias convicções julgam-me incapaz? Sou capaz tanto quanto posso provar-te. Dá-me chance moça! Ou jamais saberás que rumo tomaria tua vida se escolhesse a mim.

Dá-me chance moça.